segunda-feira, 19 de julho de 2010

Leve-me ao nirvana



Viajar é um dos melhores verbos que existe!

Ele te leva a novos lugares, a novas pessoas, novas vidas, culturas, rotinas, possibilidades, frescores, novidades, eurekas rsrs...

Sacode sua vida acomodada, sua monotonia, faz repensar, questionar caminhos escolhidos frequentemente, retira você do piloto automático.

Eu defino isso como um divertido despertar, um despertar agradável, não é como um tapa que de tempos em tempos a vida nos dá.

Mas particularmente essa viagem que fiz recentemente serviu para me desvencilhar de algumas coisas inúteis.

Uma delas é o desejo incessante de monitorar certas pessoas na internet.

Monitora não é a minha profissão.

Não sou paga pra isso!

Alguém aí já sofreu desse mal? (está comigo, Ellen?)

Existe terapia pra isso?!?!

Além da viagem, o livro que li nas férias serviu de terapia.

Fez-me questionar por que perco meu tempo com pessoas que não ligam se estou morta ou viva...

Estou abandonando essa “ocupação” de uma vez por todas.

E acho que você devia me acompanhar, Ellen.

Será como o nosso próprio clube de Monitoras Anônimas.

As fotos são de algum lugar entre Igarapava e Ribeirão, por onde passei de ônibus.




E o Dia dos Pais está chegando!


Viajei para visitar meu pai e agora que retornei estou com a sensação de que perdi cinco dias das minhas férias. Eu amo ele...mas à distância.

Estou refletindo até agora o que me disse meu primo Murilo sobre eu aspirar a pessoas de personalidades fortes e não enfrentar meu próprio pai.

É complicado...apesar de ser muito corajosa para vários aspectos da vida, quando estou com ele me sinto como uma criança de 5 anos.

Nossa relação já não é lá muito favorável, prefiro não arranjar mais motivos para desentendimentos e ceder, ceder, ceder, sempre ceder.

Abaixo está um poema que escrevi com 12 anos, quando esperanças ainda enchiam meus olhos e o mundo era mais colorido.


Pai...


Eu queria tanto sua participação no meu primeiro caminhar

Queria que você me fizesse ninar

Ensinasse-me a falar

Como na vida jogar

E comigo viesse brincar

Estivesse ao meu lado para comemorar

Mostre-me a direção pra olhar!


Ficasse aflito esperando eu chegar

E quando seu nome chamar

Venha meu choro calar,

Meu cabelo afagar

E com seus braços pode me apertar

Mostre que ao meu lado sempre vai estar

E de mim nunca vai descuidar!


Saiba que tudo que quero é te abraçar

Mesmo se eu não demonstrar

Mesmo se não me aproximar

Saiba que eu só sei te amar

Pois ainda sou criança e tudo que faço é tropeçar

Então me ensina a caminhar!


Mostre-me como é bom sonhar

E depois venha um beijo me dar

Para me acordar

E não venha reclamar

Se eu me atrasar

É porque deixo a hora passar

Porque só no mundo da lua sei ficar

Gosto de levitar...

Pois ainda não sei caminhar!


Primeiras palavras (de algum livro barato)



“Não se preocupe. Você é humana...Sua memória não passa de uma peneira. O tempo cura todas as feridas para a sua espécie."


"- Cuide-se - sussurrou ele, frio contra minha pele.
Veio uma brisa leve, nada natural. Meus olhos se abriram. As folhas de um pequeno bordo estremeceram com o vento suave de sua passagem.
Ele se fora.
Com as pernas trêmulas, ignorando o fato de que minha atitude era inútil, eu o segui para a floresta. O sinal de sua passagem desapareceu de imediato. Não havia pegadas, as folhas estavam imóveis de novo, mas avancei sem pensar. Não podia agir de outro modo. Precisava continuar em movimento. Se parasse de procurar por ele, estaria tudo acabado.
O amor, a vida, o significado...acabados."

"O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim"

"A desvantagem é que fiquei com tempo livre nas mãos, e eu tentava a todo custo evitar o tempo livre".

"Proibida de lembrar, com medo de esquecer; era uma linha difícil de seguir".

"Era paralisante, aquela sensação de que um buraco imenso tinha sido cavado em meu peito e que meus órgãos mais vitais tinham sido arrancados por ele, restando apenas sobras, cortes abertos que continuavam a latejar e a sangrar apesar do tempo"

"Lutei para ter meu torpor, minha negação, mas isso me fugia.
E, no entanto, achei que podia sobreviver. Eu estava alerta, sentia a dor - a perda dolorosa que se irradiava de meu peito, provocando ondas arrasadoras de dor pelos membros e pela cabeça -, mas era administrável. Eu podia sobreviver a isso. Não parecia que a dor tivesse diminuído com o tempo; na verdade, eu é que ficara forte o bastante para suportá-la."

“Eu parecia uma lua perdida – meu planeta destruído em algum cenário de cinema-catástrofe – que continuava, apesar de tudo, numa órbita muito estreita pelo espaço vazio que ficou, ignorando as leis da gravidade.”

"Quando você se importa com uma pessoa, você já não pode mais pensar nela usando a lógica. O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazer."

"Afinal, de quantas outras formas um coração podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo? Eu havia vivido muitas coisas que podiam ter acabado comigo nesses últimos dias, mas isso não me fez sentir mais forte. Ao invés disso, eu me sentia horrivelmente frágil, como se um palavra pudesse me fazer em pedaços."

"Uma coisa eu realmente sabia - sabia com a pontada do meu estômago, no centro dos meus ossos, sabia isso do topo da minha cabeça até as solas dos pés, sabia isso no meu peito vazio - o amor por uma pessoa pode ter o poder de te destruir. Eu estava destruída e sem reparo."

"Antes de você minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas havia estrelas...Pontos de luz e razão...E depois você atravessou meu céu como um meteoro. De repente tudo estava em chamas; havia brilho, havia beleza. Quando você se foi, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou, mas meus olhos ficaram cegos pela luz. Não pude mais ver as estrelas. E não havia mais razão para nada."