segunda-feira, 19 de julho de 2010

Primeiras palavras (de algum livro barato)



“Não se preocupe. Você é humana...Sua memória não passa de uma peneira. O tempo cura todas as feridas para a sua espécie."


"- Cuide-se - sussurrou ele, frio contra minha pele.
Veio uma brisa leve, nada natural. Meus olhos se abriram. As folhas de um pequeno bordo estremeceram com o vento suave de sua passagem.
Ele se fora.
Com as pernas trêmulas, ignorando o fato de que minha atitude era inútil, eu o segui para a floresta. O sinal de sua passagem desapareceu de imediato. Não havia pegadas, as folhas estavam imóveis de novo, mas avancei sem pensar. Não podia agir de outro modo. Precisava continuar em movimento. Se parasse de procurar por ele, estaria tudo acabado.
O amor, a vida, o significado...acabados."

"O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim"

"A desvantagem é que fiquei com tempo livre nas mãos, e eu tentava a todo custo evitar o tempo livre".

"Proibida de lembrar, com medo de esquecer; era uma linha difícil de seguir".

"Era paralisante, aquela sensação de que um buraco imenso tinha sido cavado em meu peito e que meus órgãos mais vitais tinham sido arrancados por ele, restando apenas sobras, cortes abertos que continuavam a latejar e a sangrar apesar do tempo"

"Lutei para ter meu torpor, minha negação, mas isso me fugia.
E, no entanto, achei que podia sobreviver. Eu estava alerta, sentia a dor - a perda dolorosa que se irradiava de meu peito, provocando ondas arrasadoras de dor pelos membros e pela cabeça -, mas era administrável. Eu podia sobreviver a isso. Não parecia que a dor tivesse diminuído com o tempo; na verdade, eu é que ficara forte o bastante para suportá-la."

“Eu parecia uma lua perdida – meu planeta destruído em algum cenário de cinema-catástrofe – que continuava, apesar de tudo, numa órbita muito estreita pelo espaço vazio que ficou, ignorando as leis da gravidade.”

"Quando você se importa com uma pessoa, você já não pode mais pensar nela usando a lógica. O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazer."

"Afinal, de quantas outras formas um coração podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo? Eu havia vivido muitas coisas que podiam ter acabado comigo nesses últimos dias, mas isso não me fez sentir mais forte. Ao invés disso, eu me sentia horrivelmente frágil, como se um palavra pudesse me fazer em pedaços."

"Uma coisa eu realmente sabia - sabia com a pontada do meu estômago, no centro dos meus ossos, sabia isso do topo da minha cabeça até as solas dos pés, sabia isso no meu peito vazio - o amor por uma pessoa pode ter o poder de te destruir. Eu estava destruída e sem reparo."

"Antes de você minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas havia estrelas...Pontos de luz e razão...E depois você atravessou meu céu como um meteoro. De repente tudo estava em chamas; havia brilho, havia beleza. Quando você se foi, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou, mas meus olhos ficaram cegos pela luz. Não pude mais ver as estrelas. E não havia mais razão para nada."

Um comentário:

  1. "Proibida de lembrar, com medo de esquecer; era uma linha difícil de seguir"

    God knows!

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